A entrevista literária

Deixando um pouco de lado a movimentação para a OFF-FEST Literatura Off-Line, que acontecerá paralelamente ao Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura (mais informações aqui; vejo você lá?), nos últimos dias me perdi no whohub, um diretório de entrevistas a profissionais da comunicação, artes, humanidades, tecnologia, marketing, e, em geral, de qualquer atividade que contenha um componente criativo, como escrever.

As perguntas específicas para os literatos são bem variáveis. Como você começou a escrever? Quem lia para você ao princípio? Como é o seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever? Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever? Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira e ou terceira pessoa? E por aí vai.

Tá, de certa forma são perguntas simples, muitas delas bastante previsíveis, mas que trazem um bom mote para análise. Por exemplo, logo de cara, um fato dispara: mãe é quem mais lê para os outros. A sua também lia para você? A exceção é algum outro parente que freqüentava a casa, o pai, um tio. Tem outros tipos de respostas, embora seja preciso caçá-las. Não dá para escapar, o gosto à leitura vem do estímulo que se recebe. O bom é saber que existem aqueles que, ao contrário da maioria, começaram a escrever e a se interessar pela literatura depois de crescidos, uma mostra de que sempre é tempo de o Brasil se tornar um país de leitores.

Que escritores conhecidos são os que você mais admira? Pergunta que, confesso, não respondi. Pulei, por conta dos clássicos. E me perdi pensando no mercado editorial, na mídia, coisa e tal. Mas, voilá, a resposta de Cláudio Eugênio Luz foi em justa média: “um português, um russo, um irlandês e um brasileiro com cheiro de rosas”. Então pensei em adicionar outros: um espanhol, uma iraniana, um mexicano, um indiano, um moçambicano, um angolano, uma volta ao mundo, mas só porque faz um baita sentido acompanhar as letras das lideranças regionais. Um paulistano, um goiano, um mineiro, um capixaba, um nordestino, um sertanejo, um retirante, uma volta, uma roda, um desafio. Não respondi, pulei. Fui gastar o verbo nos concursos e prêmios literários. E a coisa foi encaixando.

Lá tem muita gente premiada. E bem premiada, pelo menos em quantidade. O desafio é responder fora do comum. Vez ou outra, lendo os entrevistados, a gente se depara com a nossa resposta de mesmo viés. E talvez seja isso o bacana no site, que também é uma rede social: que é você se colocar no entre, refletir pelos caminhos da literatura e conhecer novas pessoas, os pensamentos delas, anônimos, escondidos, incautos. Vale, no mínimo, a tentativa do exercício. Não, minto, as pessoas é que valem à pena. E ver como elas se agrupam, se aninham e vivem numa entrevista literária.

A minha entrevista está aqui: http://www.whohub.com/fernandezias
E agora eu também tenho twitter: http://twitter.com/fernandezias
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