Bolsa Funarte de Criação Literária: O que eu aprendi?

É preciso não ter medo de escrever algo realmente ruim. Este foi o principal aprendizado que a Bolsa de Criação Literária da Funarte pôde me oferecer. Eu, escritora estreante, tinha outras idéias sobre o processo de escrita direcionada aos contos, crônicas e romances, dentre outros estilos. No entanto, uma certeza se manteve: é preciso dedicação e se debruçar sobre os escritos para além da inspiração. Trabalho. E muito, pois cada texto para ser lapidado deve estar muito além do óbvio e requer esforço.

Claro que eu não gostaria de contabilizar essa experiência de querer jogar um texto no lixo, de tão péssimo, e não poder. Em troca, o aprendizado veio de chofre num único verbo: enfrentá-lo. Este escrever mesmo quando a inspiração não vem, para criar hábito; este manter se torna um processo de fundamental importância para todos aqueles que quiserem se fazer através da literatura, esta vista enquanto objeto de leitura, ou seja, nas suas formas consumíveis: livros, e-books e outros formatos impressos e/ou digitais que, então, direcionam os escritores para outros estados de sujeito como, por exemplo, personas de eventos literários, feiras, festas, palestras, entrevistas e outras formas de divulgação da literatura.

Com esta bolsa de criação literária aprendi que não tem jeito, é preciso unir criatividade com o trabalho, inspiração com o planejamento. Também pude ver o esforço solitário que está submerso no processo e - para quem sempre teve uma vida dinâmica, baseada em corpos inquietos já que minha formação acadêmica está voltada à educação física e aos esportes - a presença dos amigos, para que me tirassem de casa, passou a ser uma peça fundamental no desenvolvimento e construção deste livro. Foram eles que permitiram que as coisas não permanecessem num vazio, num oco, sem eco e deram significado à minha existência e ao ofício.

Discutir com os outros sobre aquilo que se escreve também entrou na lista dos aprendizados fornecidos pela bolsa de criação literária. Deste recurso muito utilizei uma vez que, na construção de papéis, principalmente os do universo masculino, daquilo que eles têm e desejam e que elas não têm e desejam, necessitaram de um debate para além da pesquisa, de forma que as personagens pudessem representar a construção social que se encontra submersa no texto.

Entendi a função do primeiro leitor e a urgência do texto. E se a faca for afiada, mesmo, melhor colocar um item de folga no planejamento. Daí a importância de ter feito um pré-projeto para cumprir e, com ele, não fugir da dimensão do tema abordado. Mais uma vez a folga para os imprevistos, para os novos textos que não estavam ali e que, então, se fizeram necessários, quer tenha sido por desejo ou necessidade. Ter um pequeno roteiro ou um projeto inteiro, após esse processo de criação literária, tornou-se um dos principais meio de desenvolvimento para a concretização do deste livro e de outros projetos que dele surgiram, além do gerenciamento de tempo.

Desta forma, deixo registrado aqui, o valor e importância da Bolsa Funarte de Criação Literária não apenas para o desenvolvimento de minha carreira literária, um início com pé direito, confesso, como também para o crescimento e fomento da literatura em seus diversos aspectos.
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