Do Jabuti e outros prêmios literários

Não restam dúvidas de que todo prêmio literário é subjetivo. Mostram resultados ditados pelo gosto da banca examinadora. Esta banca examinadora às vezes evidencia a voz de uma mídia, às vezes uma voz política, às vezes as duas coisas juntas. E tem também os grandes herois, e os grandes vilões. Neste caso os herois de uns serão os vilões de outros.

Ontem, dia 18, foram revelados os vencedores do Prêmio Jabuti 2012. E mais uma vez a polêmica do julgamento. O Jabuti, ainda respingando o bafafá Leite Derramado x Editora Record, encontra, nessa 54a edição um jurado - heroi ou vilão, ainda não se sabe ao certo - que resolveu se utilizar de um regulamento falho para favorecer a linhagem "escritores estreantes". Assim, deu nota próxima de zero aos favoritos e próxima de dez às zebras. Evidentemente deixou clara a sua manipulação. 

Heroi ou vilão, esse jurado, com tal atitude, colocou o Prêmio Jabuti na berlinda. Para desmoralizar, talvez, não se sabe, deixo aos jornalistas de plantão a tarefa desta investigação. Para criticar todo o processo de julgamento literário, talvez, independente do Jabuti em questão. Para levantar uma bandeira contra o mercado livreiro, talvez, contra esta voz midiática ou esta veia política que determina quem deve ser lido e quem não deve ser lido, ou tudo isso no mesmo pacote. O fato é que ele quis provocar, sim, e conseguiu. Quis chamar a atenção, sim, e conseguiu. 

Fico eu aqui pensando: fosse eu a autora do romance vencedor, resultado então manipulado por esse heroi ou vilão, como eu me sentiria tendo minha obra não julgada pelo seu conteúdo, mas por minha posição acionária de "escritora estreante". Será que este jurado tem este direito de me colocar num patamar político que sequer eu imaginei que poderia existir? A subjetividade diz que sim mesmo se tudo parecer um despropósito, mesmo que este heroi ou vilão tenha cometido tal atitude com muito, mas muito propósito mesmo.

O que é inegável é que o Jabuti começa a ficar abalado. 

E o jabuti começa a ficar abalado na sua estrutura subjetiva.


E foi com a polêmica do ano passado que o Prêmio Jabuti mudou as regras.
Entenda aqui:
- Edney Silvestre recebe o Jabuti de melhor romance com o livro "Se Eu Fechar os Olhos Agora" (Record) 
- "Leite Derramado", de Chico Buarque, 2º lugar entre os romances, vence o Livro de Ficção do Ano
- O presidente da Record, Sérgio Machado, anuncia que não irá mais participar do Jabuti para "não compactuar com uma comédia de erros

Mudar é mais do que adequado. Na época me veio o pensamento: que ótimo o debate, pois se foi um processo político, ou de forças, não confirmo nenhum dos dois porque não estou no dentro; mas se foi por questões dessas ou semelhantes, veio aquele fiozinho de esperança de uma autora desconhecida e coisa e tal que não vou ficar repetindo aqui. Mas o meu Língua Crônica respirou até certo ponto aliviado, vejam só, ele ganhou uma chance, mesmo que mínima. Um desconhecido entre os três vencedores da categoria em que concorre: contos e crônicas [sim, eu enviei meu Língua Crônica, está lá nos correios, a caminho]. E não é que as regras mudaram? Não haverá mais segundo e terceiros lugares, o que me derruba o grosso fio da esperança. Com um as coisas ficaram bem mais difícieis.

Bom, mas o jogo se joga nas regras, vamos pra frente sem desanimar. Dos outros detalhes sobre o prêmio, aumentaram o número de categorias. Legal! Faz sentido. Desmembraram outras. Legal! Faz mais sentido ainda. Ah, o meu lamento, pessoal e intransferível, a categoria contos e crônicas continuam juntas. E como eu queria tal separação! Talvez seja porque muitos ainda confundem contos com crônicas e crônicas com textos de opinião. E talvez isso não tenha nada a ver com nada, sei lá. Mas por que será que prêmios fazem coisas com a gente?

Qual a verdadeira importância de tudo isso?
Quando eu descobrir, prometo que volto pra escrever.
Alguém por aí tem alguma idéia?
Afinal, o que é prestígio para você?





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