O suporte digital como futuro da literatura


Você considera o suporte digital o futuro da literatura? Ou é uma saudosista que vê livros com papel, capa, cheiro de livros e colocados em estantes?
Não é possível negar o avanço tecnológico uma vez que já podemos nos deitar com um livro em mãos, digo dos e-readers e e-books, e sem malabarismos para segurar aquelas 500 páginas em peso e tal. Ainda me lembro do peso do conhecimento que carregava nas costas, na época de estudante, antes das mochilas de rodinhas.

De outro lado, fico pensando nessa questão dos direitos autorais e da pirataria. Se cada livro de papel é passado de mão em mão, cada arquivo digital atinge muito mais pessoas. Pensando nisso que pretendo, num futuro próximo, colocar o Língua Crônica em suporte digital, com opção de impressão sob demanda, para os saudosistas. Neste momento, confesso, a pirataria não me incomoda. Não sei se um dia serei fisgada pelo capitalismo que impera por detrás da discussão. Talvez. Sei que a edição autoral do meu livro ainda não se pagou. Quem sabe um dia. Só que nessa busca ao sol, como dizem por aí, quero mais é estar em todos os lugares. Acho que Paulo Coelho concordaria comigo, só gostaria que ele incluísse no site onde ele próprio disponibiliza seus livros em arquivo digital, gratuitamente, seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, que dizem ser muito bom, mas que ele próprio renegou.

Ainda continuando com a resposta, até alguns anos atrás eu era cri-cri, não emprestava livros e eu própria tinha uma necessidade de sequer não abrí-lo totalmente pra não estragar a lombada. Era importante que eles ficassem sempre novos e, depois de lido, ali na estante, brilhando. Sem uma marquinha sequer. Um Deus intocável. Então eu comecei a ver as coisas de outra forma e passei a enxergar os livros como uma necessidade urgente do país, de todos. E das minhas prateleiras eles começaram a voar, de mãos em mãos, muitos deles sem voltar. E que não voltem, que se vão até se esgotarem, porque, sim, livros se esgotam, às vezes ficam ultrapassados e quando isso acontece, no meu caso, viram book arts, mas essa é outra história.

O fato é que tudo tem um contra-ponto. Acho que os livros em papel ganharão versões mais artísticas, como um presente de luxo, algo para colecionadores. Se pararmos para pensar, os LP´s estão voltando com tudo, uma prova de que os suportes antigos podem continuar extistindo junto com os novos, sem problemas. De qualquer forma, acredito que essa seja uma realidade distante, o livro em papel ainda receberá investimentos porque ele ainda é o acesso mais fácil para expandir.
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